Big Techs da semana: Meta aposta em agentes de IA, Amazon leva publicidade ao ChatGPT e Apple entra na era dos dobráveis
A semana foi marcada por uma mudança importante na disputa entre as grandes empresas de tecnologia: a inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de conversa e começa a assumir tarefas, participar de decisões e, principalmente, ocupar um espaço cada vez maior no mercado publicitário.
DROPS
Rayan
9/11/20265 min read


Entre os principais movimentos dos últimos dias estão o lançamento do agente pessoal Muse, da Meta, a expansão da publicidade do ChatGPT com Amazon e OpenAI, a chegada do primeiro iPhone dobrável da Apple e novos avanços nos modelos de inteligência artificial.
Para quem trabalha com marketing, publicidade e tecnologia, essas movimentações mostram para onde o mercado está caminhando.
Meta apresenta Muse, seu agente pessoal de IA
A Meta apresentou nesta semana o Muse, um agente pessoal de inteligência artificial desenvolvido para ajudar usuários a realizar tarefas e não apenas responder perguntas.
Segundo a empresa, o Muse foi projetado para entender objetivos, sugerir ações e acompanhar o usuário durante a execução de determinadas tarefas. A tecnologia pode ser utilizada pelo aplicativo próprio do Muse e também pelo WhatsApp.
A diferença em relação aos assistentes tradicionais está justamente na capacidade de agir.
Em vez de simplesmente responder "como faço isso?", a proposta é que o agente consiga ajudar a organizar compromissos, pesquisar informações, criar conteúdos e executar determinadas ações em nome do usuário.
A Meta já vinha avançando nessa direção. Em julho, a empresa apresentou recursos que permitem ao Meta AI criar apresentações, conectar-se a aplicativos de e-mail e calendário e executar tarefas de maneira mais autônoma.
O que isso significa para o marketing?
A evolução dos agentes pode mudar a maneira como consumidores descobrem produtos e tomam decisões de compra.
Hoje, uma pessoa pode pesquisar um produto no Google, acessar diferentes sites, comparar preços e finalmente comprar.
Com agentes de IA, parte desse processo pode acontecer dentro de uma conversa.
O usuário pode simplesmente dizer que precisa de determinado produto, informar orçamento e preferências e deixar que a inteligência artificial faça boa parte da pesquisa.
Isso cria uma nova disputa pela atenção: as marcas não precisarão apenas aparecer para pessoas, mas também ser compreendidas e recomendadas pelos agentes.
Amazon começa a vender anúncios dentro do ChatGPT
Outro movimento importante envolve Amazon e OpenAI.
A Amazon começou a testar a venda de publicidade dentro do ChatGPT nos Estados Unidos. A operação utiliza a Amazon DSP para disponibilizar anúncios que podem aparecer associados às respostas do chatbot.
O projeto ainda está em fase inicial e, neste momento, é limitado ao mercado norte-americano.
Mas a importância estratégica é enorme.
O ChatGPT possui algo extremamente valioso para anunciantes: contexto.
Uma pesquisa tradicional pode indicar que alguém está procurando por um determinado produto. Uma conversa com inteligência artificial pode revelar muito mais sobre intenção, necessidade, orçamento e momento de compra.
Para o mercado publicitário, isso abre uma possibilidade bastante diferente do modelo tradicional de anúncios.
A publicidade pode deixar de depender exclusivamente de palavras-chave, interesses ou comportamento de navegação e passar a considerar a intenção expressa diretamente pelo consumidor.
OpenAI quer transformar o ChatGPT em uma plataforma de publicidade
A movimentação da Amazon acontece justamente enquanto a OpenAI amplia sua própria estratégia de publicidade.
Sarah Friar, CFO da OpenAI, afirmou nesta semana que a empresa pretende desenvolver uma operação publicitária que combine características associadas ao Google e à Meta. Segundo a executiva, a área de anúncios do ChatGPT já estaria caminhando para uma receita anual de US$ 1 bilhão.
A mudança é significativa porque a OpenAI durante muito tempo tratou publicidade em produtos de IA com bastante cautela.
Agora, o cenário é diferente.
A empresa precisa sustentar os enormes custos relacionados a processamento, data centers e desenvolvimento de novos modelos. A publicidade aparece como uma das alternativas para transformar o enorme volume de usuários do ChatGPT em receita.
Para profissionais de mídia paga, isso pode significar o surgimento de um novo canal de aquisição.
Ainda é cedo para saber como será a compra de mídia em ambientes de IA, mas uma coisa parece cada vez mais clara: o tráfego gerado por respostas de inteligência artificial poderá se tornar tão estratégico quanto o tráfego vindo de mecanismos de busca e redes sociais.
Apple finalmente entra no mercado de celulares dobráveis
A Apple também dominou as notícias da semana com o lançamento do iPhone Duo, seu primeiro smartphone dobrável.
O aparelho abre como um livro e utiliza uma tela interna de 7,6 polegadas, além de uma tela externa de 5,4 polegadas.
O lançamento representa uma mudança importante na estratégia da companhia, que demorou anos para entrar em um segmento já explorado por Samsung, Google e outras fabricantes.
O iPhone Duo começa em US$ 1.999 nos Estados Unidos e terá pré-venda a partir de outubro.
Além do dobrável, a Apple apresentou os novos iPhone 18 Pro e 18 Pro Max, Apple Watch e AirPods.
Mas o significado do lançamento vai além do hardware.
A Apple está tentando reposicionar o iPhone em torno de inteligência artificial, processamento local e integração entre dispositivos.
IA também vira uma disputa por infraestrutura
Enquanto as empresas apresentam novos produtos e agentes, existe uma outra corrida acontecendo nos bastidores: a infraestrutura necessária para manter toda essa inteligência artificial funcionando.
A Qualcomm anunciou nesta semana um acordo de longo prazo com a Amazon para fornecer chips voltados a data centers de IA. O acordo pode chegar a US$ 60 bilhões em produtos e chips, reforçando a tentativa da Qualcomm de ganhar espaço em um mercado atualmente dominado pela Nvidia.
A Amazon, Microsoft, Google, Meta e outras gigantes estão investindo bilhões em infraestrutura para treinar e executar modelos cada vez maiores.
Isso mostra que a corrida da IA não está acontecendo apenas no software.
Existe uma disputa simultânea por chips, data centers, energia, armazenamento e capacidade computacional.
OpenAI enfrenta debate sobre segurança dos modelos
O avanço da inteligência artificial também trouxe uma discussão importante nesta semana.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, Sam Altman teria sinalizado internamente que a OpenAI está aberta à possibilidade de desacelerar o desenvolvimento de sistemas de IA diante das preocupações crescentes relacionadas à segurança.
A discussão acontece em paralelo ao avanço das capacidades dos modelos.
Quanto mais autonomia esses sistemas ganham, maior é a preocupação sobre como monitorar suas decisões e limitar comportamentos indesejados.
A questão deixa de ser apenas "o que a IA consegue fazer?" e passa a incluir uma pergunta ainda mais importante:
Até onde devemos permitir que ela aja sozinha?
O que profissionais de marketing precisam acompanhar
O ponto em comum entre praticamente todas essas notícias é a mudança no comportamento do consumidor.
Google, Meta, OpenAI, Amazon e Apple estão construindo produtos em que a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a ocupar uma posição intermediária entre pessoas, conteúdo, serviços e marcas.
Para quem trabalha com marketing, isso pode provocar pelo menos cinco mudanças importantes:
A busca tradicional pode perder parte do protagonismo para respostas geradas por IA.
Agentes podem começar a participar diretamente das decisões de compra.
A publicidade em ambientes conversacionais pode criar um novo mercado de mídia.
SEO poderá precisar considerar não apenas mecanismos de busca, mas também mecanismos de resposta baseados em IA.
Marcas precisarão trabalhar sua presença digital pensando também em como são interpretadas e recomendadas pelos modelos.
A consequência mais importante é que a disputa pela atenção pode estar mudando de lugar.
Durante anos, empresas brigaram para aparecer na primeira página do Google, conquistar espaço no feed do Instagram ou colocar seus anúncios diante do público certo.
Agora, uma nova camada está surgindo: ser a marca que a inteligência artificial escolhe recomendar.
A semana em uma frase
Se existe uma mensagem comum nos movimentos das Big Techs nesta semana, é esta: a próxima fase da internet será menos sobre pessoas navegando entre plataformas e mais sobre agentes de IA realizando tarefas entre elas.
E, para o marketing, isso significa que a pergunta pode deixar de ser apenas "como faço para meu anúncio aparecer para o consumidor?" e começar a ser:
"Como faço para minha marca ser escolhida por um agente de inteligência artificial?"
Essa pode ser uma das principais disputas do mercado digital nos próximos anos.